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Manu, a Incauta

Manú, a Incauta – Capítulo 1

A inocência é uma coisa que não tem preço. Quisera o mundo ter mais pessoas inocentes, puras de coração. Quem sabe assim, a pobreza, a miséria, a ladroagem não seriam tão generalizadas. É o que pensam muitas pessoas. Mas as vezes, a inocência pode ser perigosa…

Assim era Manú. Ingênua. Sem maldade. Incauta.

Manú tinha 16 anos, cursava o segundo ano do então segundo grau, que era o nome do ensino médio naquele tempo.

No ano que passara, Manú viveu a mesma experiência que as lagartas vivem, ao transformarem-se em borboletas. Manú saiu do casulo. E virou uma linda borboleta.

Só que Manú não se deu conta. Manú não tinha maldade. Seguia sua vida leve e solta, vestia-se sem preocupações estéticas e, ainda, de vez em quando, dedicava tardes a intermináveis banhos e sessões de maquiagem na sua coleção de bonecas Barbie.

Mas fisicamente, Manú não tinha nada de criança. Ruiva, um metro e setenta e dois. Todos sabemos o poder de uma mulher ruiva…. Tornozelos torneados, panturrilhas finas, porém promissoras. Tinha lindas e lisas coxas, orneadas por pelinhos dourados. Ah, os pelinhos dourados das coxas…. Ostentava jovens e rijos seios, perfeitamente simétricos. E, como se sabe, é quase impossível achar seios simétricos. Os da Manú eram.

Manú definitivamente não dava bola pro seu corpo. Ou nem sabia que tinha um corpo. Preocupava-se com os estudos, com seu futuro, com suas bonecas. Durante as aulas de educação física, suas calças de suplex (quem foi o gênio que inventou essas calças?), blusinhas micro, suada, nem se dava conta do furor que causava nos colegas.

Pois foi num dia desses, de educação física, que Marcos descobriu Manú. Marcos era aluno do terceiro ano, um a mais que Manú. Não havia ainda reparado na mulher, que até outro dia era uma simples guria. Marcos estava a matar aula, gazear, e acabou assistindo Manú durante seus alongamentos e corridas.

Apaixonou-se.

Porque podem até dizer que as mulheres amadurecem antes que os homens. Até concordo.
Mas o senso de putaria, isso os guris aguçam muito antes.

Marcos voltou pra aula, e espalhou a novidade. Pronto. No intervalo, Manú já era o assunto do terceiro ano.

Até um bolão foi criado, entre a turma do fundão. Pra saber quem seria o primeiro a visitar o as novas curvas do corpo de Manú.

Manú continuava sua vida. Livre, leve e solta. Preocupava-se em viver sua adolescência da forma mais proveitosa possível. Depois da escola, ia pra casa, ajudava a mãe com a louça do almoço, fazia o tema (assim que ela referia-se a lição de casa), e ia brincar. Muitas vezes com sua irmã mais nova, a Claudinha.

Claudinha tinha 2 anos menos que Manú, mas sua mente já andava a frente da mente da irmã. Claudinha queria brincar de namorar. Era difícil a brincadeira da Claudinha que não acabasse em bonecos casados com bonecas, tendo filhos, e etc. Enfim, o instinto feminino de formar famílias.

Manú não. Manú queria correr, brincar de pegar, dar banho nas bonecas, arrumá-las para grandes eventos. Mas nunca envolvendo casais. Manú era pura.

Uma das atividades vespertinas favoritas de Manú era o banho de rio. Adorava banhar-se no rio que ficava aos fundos de sua propriedade. Cidade pequena tem essas vantagens, dizia a mãe, quando lhe autorizava as idas ao rio.

Cabe falar da mãe de Manú. Dona Irma. Dona Irma era uma mulher muito justa, muito séria. Católica fervorosa, jamais ousara pensar em outro homem depois da morte de seu amado esposo, o Armando. Amado finado Armando… pensava ela.

Seu Armando morreu quando Manú tinha 2 anos. Claudinha era recém nascida. Talvez a ausência da figura masculina na casa explicasse o comportamento do Manú. Mas Claudinha fora criada no mesmo ambiente e era diferente.

Dona Irma às vezes preocupava-se com Manú. Como pode uma menina, de 16 anos, portar-se como se tivesse 10? Mas logo acalmava-se. Antes inocente do que mal falada. Seu maior temor eram as fofoqueiras da cidade.

No dia seguinte, na porta da escola, Marcos esperava por Manú. Tinha um bilhete, uma caixa, e sua coragem.

Saiba como continua essa história no próximo capítulo de Manú, a incauta!

Manú, a Incauta – Capítulo 2

Manú acordou cedo aquele dia. Como de costume, tomou banho, um copo de Nescau e foi pra aula. Claudinha a acompanhava. Manú vestia calças jeans largas, e uma camiseta. Claudinha, um short justo e um top. Era sempre assim.

Chegaram à escola, e logo no portão, foram abordadas por Marcos. Marcos, bancando o tímido, entregou o envelope com o bilhete e a caixa. Não disse nenhuma palavra, apenas olhou Manú no fundo dos olhos. Manú, sem saber o que fazer, agradeceu e saiu correndo. Correu como um pequeno cão acuado. Era a primeira vez que fora cortejada por um garoto. Claudinha correu ao seu encontro, e pediu que se acalmasse. Disse que isso era normal, e que ela mesma já havia passado por situação parecida.

Ficou tão nervosa, que não sabia o que fazer. Pensou, pensou. Resolveu ir pra aula, que disso ela entendia. E que resolveria sobre Marcos mais tarde.

Já na aula, olhava para os presentes. Sem abri-los. A caixa era preta, com um laço vermelho. Não era grande nem pequena. Grande demais para um anel, pequena demais para um urso de pelúcia. Era tudo que ela sabia sobre presentes de homens para mulheres. Coisas que ouvira das amigas, ou vira na televisão. Não tinha coragem de abrir.

O bilhete estava em um envelope branco, perfumado. O perfume era forte, másculo, e acolhedor. Manú gostou. Passou o resto da aula cheirando seu envelope. As colegas, curiosas, bradavam para que o abrisse. Manú resistiu. Veio o intervalo.

No intervalo, Claudinha a procurou. Quis saber dos presentes, quis ajudar a irmã.

Ora bolas. Manú recebia agora conselhos de sua irmã mais nova. Resolveu ser racional. Ela era boa nisso. Sempre fora boa nas matérias exatas, as que exigiam raciocínio lógico. Pronto, tomara sua decisão.

Resolveu que os abriria apenas em casa. Decidido. Dona Irma não estava em casa, ela não teria problemas em chegar com a caixa. Abriria os presentes no meio das amigas que mais confiava, Barbie-noiva e Barbie-praia.

Onze e quarenta e cinco. A aula acabou. Manú saiu, passos rápidos. Queria chegar logo em casa, e o mais importante: não queria encontrar Marcos na saída. Imagina se ele questionasse a respeito dos presentes? O que ela diria? Que não teve coragem de abrir? Melhor não.

Chegou em casa. Sã, e salva. Claudinha a importunara o caminho todo. Queria logo abrir, ver, tocar, opinar.

Manú trancou-se no quarto, rodeou-se de suas bonecas, respirou fundo e pegou os presentes.

Começou com o envelope. Perfumado, cheirou mais uma vez. Abriu, leu. Tremeu.

Resolveu abrir a caixa. Abriu, viu. Sorriu.

Dali em diante, Manú não seria mais a mesma.

Mas o que continha o bilhete? E a caixa? Saiba nos próximos capítulos de Manú, a Incauta.

Manú, a incauta – Capítulo 3

Manú era inocente, incauta. Manú não sabia do seu potencial. Até que, um belo dia, foi descoberta por Marcos. Marcos a presenteou, com um envelope e uma caixa, preta, com uma fita vermelha.

O que havia na caixa? E no envelope?

Antes chegarmos a estas respostas, é preciso conhecer o Marcos.

Marcos, 17 anos, terceiro ano do ensino médio. Assim seria o seu perfil no site de relacionamentos. Mas ele era muito mais que isso. Marcos era um filhote de Don Juan, um metido a conquistador. Segundo o próprio, não existe mulher difícil, existe homem incompetente.

Marcos estudava suas vítimas, traçava planos, e dominava o inimigo. Um típico líder militar. Sun Tzu, era considerado amador perto de Marcos.

Mas Marcos não era cafajeste. Marcos apaixonava-se, de verdade. Era fiel, dedicado. Só que era meticuloso. Planejava cada movimento, cada palavra.

Para seus colegas, era um mestre. Todos diziam que não existia mulher que Marcos não fosse capaz de “derrubar” (palavreado deles).

Eis que, numa manhã qualquer, Marcos cabulou aula e, sem querer, acabou assistindo a aula de educação física da turma de Manú. Ruiva, Marcos nunca tinha ficado com uma ruiva. Marcos, solteiro desde o mês passado, caiu de amores pela moça.

Marcos bolou então seu plano. Primeiro divulgaria a novidade na sua turma, pra ver a reação dos colegas…

Foi positiva, ninguém tinha nada de negativo contra a moça. Próximo passo. Presentes.

Mulheres adoram presentes. Mas Marcos entendera que Manú era diferente. Manú era pura, era incauta. Seria preciso transformá-la.

E ele estava convicto que conseguiria.

Preparou os presentes, em uma caixa preta, com um laço vermelho, e um envelope. Perfumou o envelope, com seu melhor perfume.

No dia seguinte, esperou Manú, na porta da escola. Entregou, sem dizer nenhuma palavra. Bancou o tímido.

Manú correu, como ele esperava. Agora, era esperar para ver. Evitou encontrar Manú naquele dia, veementemente.

Foi pra casa, imaginando o resultado de sua estratégia. Teria funcionado? Só saberia na próxima manhã.

E lá foi ele, cedo para a escola. Esperar sua Incauta.

E ela veio. Não estava acompanhada da serelepe irmã, caminhava sozinha. No começo Marcos não a reconheceu. Mas logo deu-se conta que era sua estratégia, em pleno funcionamento.

Caminhando pela calçada, peito estufado, era uma vitoriosa. Passos firmes, cabelos esvoaçantes. Sabia de onde vinha, sabia pra onde ia.

Manú vestia uma micro-saia. Nada mais que um palmo. Suas coxas a mostra, os pelinhos dourados arrepiados. Uma sandália de salto alto, dava certo destaque as promissoras panturrilhas. O umbigo, talvez pela primeira vez, era exibido orgulhosamente. Usava um top, justo, evidenciando os belos e simétricos seios.

Maquiado, sem exageros, seu rosto era a cereja dessa deliciosa sobremesa. Os olhos, cobertos por um belo e grande par de óculos escuros. Emoldurando a obra de arte, o cabelo, que estava mudado. Uma franja lhe caia na testa, cobrindo parcialmente seu olho esquerdo.

Marcos transformara Manú, a incauta, em Manú, a fatal.

Mas como? Saiba no próximo e último capítulo de Manú, a incauta!

Manu, a Incauta - FINAL!!!

Manú, a incauta. A pura. Assim era Manú. Até aquele fatídico dia.

Marcos a presenteara com, com… bem, com coisas. Coisas que mudaram sua vida.

Manú resolveu mudar. Começou por seu quarto, colocou todas suas bonecas em uma caixa, devidamente protegidas por sacos plásticos individuais e mudou a decoração, para um tom mais adulto.

O próximo passo era mudar a aparência. Pegou roupas da irmã, que no começo lhe pareceram pequenas, apertadas, mas que, mais tarde, lhe deram confiança. Olhava no espelho, e via que estava diante de uma bela mulher. Faltava ainda o calçado. Claudinha tinha o pé menor. A mãe ainda não havia voltado do trabalho, então Manú visitou seu armário, e escolheu uma bela sandália, de salto alto e fino.

Experimentou, e gostou. Sentia-se mulher. Sentia-se forte, confiante. Ainda faltava alguma coisa. Chamou Claudinha, que já veio com o estojo de maquiagem, e a escova-chapinha, ou algo parecido. Manú, finalmente, assumiu a borboleta que era.

No dia seguinte, antes da aula, esperou a mãe sair de casa, repetiu o ritual, e saiu. Cheia de pompa, toda orgulhosa de si mesma. Caminhou até a escola, causando torcicolos por onde passava. Na chegada, ao portão, Marcos a esperava.

Manú passou na frente de Marcos, o hipnotizando com seu perfume. Marcos a pegou pelo braço, a aproximou, e sussurrou no seu ouvido:

- Vejo que gostastes dos meus presentes.

Era verdade. Os presentes haviam mudado a vida de Manú. Um bilhete e uma caixa.

O bilhete, que inicialmente a assustara, dizia o seguinte:

Manú, és a mulher mais sexy que conheço. Só tu não sabe.
Te quero, e vou te ter. O presente da caixa, vai mudar tua vida.

Por isso Manú tremeu. Mudar minha vida? Como? Resolveu abrir a caixa. Abriu.

Na caixa, uma calcinha vermelha, fio dental. Daquelas que, na parte de trás, sobre o cóccix, fica uma pequena jóia em forma de triângulo, e depois desse uma tênue linha, que segue até encontrar um pequeno, pra não dizer minúsculo, pedaço de pano, que deveria cobrir pélvis da menina. Deveria, porque não cobre, transparente que é.

Manú sorri, e pensa: “uma calcinha não muda a vida de ninguém”. Engano. Vestiu a calcinha, por curiosidade, pra ver como ficava. Até então, Manú só tinha calcinhas de algodão, com carinhas sorridentes. Calcinhas de menina. Que claro, também tem o seu valor.

Na mesma hora, diante do espelho, foi tomada por um sentimento de poder, uma força que só as mulheres possuem. Entendeu que tinha ali, naquela calcinha, a mais poderosa arma de conquista que uma mulher pode ter. Viu-se linda, poderosa. E decidiu mudar sua vida.

O resto, já sabemos.

Quando Marcos a parou na entrada da escola, por um instante, Manú pensou em esnobá-lo. Mas resolveu dar uma chance àquele que a descobriu. Disse que queria conversar com Marcos, mas não agora. Na saída da escola. Atrás do muro. Claudinha havia lhe falado a respeito de “atrás do muro”.

Marcos entendeu o recado, e a esperou, no final da aula, atrás do muro da escola, em um terreno baldio. Sabia o que significava. Aquele era o local freqüentado por casais e/ou futuros casais da escola. Ia se dar bem, pensou Marcos.

Manú veio, trocaram 5 ou 9 palavras, e ficaram. Beijos fogosos, porém molhados. Era a primeira boca que Manú beijava. Marcos, veterano, parecia um polvo, cheio de braços. Manú dava uma de Lev Yashin, o goleiro russo, também conhecido como Aranha Negra, das décadas de 50, 60 e 70. Defendia tudo o tal Lev Yashin. E Manú também. Marcos no ataque, Manú na defesa.

Se deram bem. Teve química. Começaram a namorar.

Daquele dia em diante, Marcos buscava derrubar a barreira que ele mesmo criara. Buscava tirar a calcinha de Manú.

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