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Clóvis, um brasileiro!

Clóvis, um Brasileiro – Parte1

O Clóvis era um cara medíocre. Mediano. Regular.

Era auxiliar administrativo, tinha um Chevete 88, segundo dono e uma casa no subúrbio. Tinha um cachorro vira-lata, o Figueroa.

O Clóvis era casado. Alice, o nome dela. Alice podia ser classificada como “junto no parque”. Não era nenhuma “mãos dadas no shopping”, mas também ficava longe das “trancafiadas no escuro”.

O Clóvis dizia que não queria ser promovido na empresa, pra não ganhar mais responsabilidades. Era contente com seu salário.

Não queria mais nada da vida, o Clóvis. Era realizado. Afinal, é disso que se trata a felicidade. Atingir seus objetivos, suas metas. Cada um com seus parâmetros.

Um dia, chegou em casa e não encontrou Alice. Nem o Chevete 88, segundo dono. Só lhe restara o Figueroa, e um bilhete.

No bilhete, 3 linhas:

- Cansei, eu quero mais.
Fugi com teu chefe, o Armando.
Levei o Chevete 88, segundo dono.

Clóvis ficou atônito. Perdera a mulher, o carro e o chefe. Tudo de uma vez.

Não dormiu naquela noite. Primeira noite desde sua adolescência que passava sem dormir.

Levantou, foi pro trabalho, como sempre. Era preciso voltar à mediocridade.

Clóvis cumpriu sua rotina paulatinamente. Ligou o computador, foi buscar um café, conversou com o Aristides da contabilidade no caminho, sentou-se.

5 minutos, e uma ligação. Era o seu Carlos, Gerente do departamento. Se não bastasse seu mundo caindo, o seu Carlos ainda queria vê-lo.

Foi. Seu pior temor se realizou. Virara Chefe do Setor, no lugar do traidor do Armando.

Agora, não tinha mulher, não tinha o Chevete 88, segundo dono, e tinha bastante responsabilidade.

Seu mundo desabou. Toda a proteção, construída em anos, se perdeu em menos de 24 horas.

E agora?

Saiba no próximo capítulo de Clóvis, um brasileiro!

Clóvis, um Brasileiro – Parte 2

O mundo de Clóvis não é mais o mesmo. Sem mulher, sem carro, chefe do setor.

Não foi pra casa aquela noite. Jamais conseguiria encarar o Figueroa. Figueroa era sua inspiração. Uma digna vida de cão. Acordava, comia, dormia. Não aprontava, pra não ser repreendido. Não latia, não corria e nem roia. Um cão medíocre. Certa vez o Figueroa sumiu por uma semana. Ninguém sentiu sua falta.

E era o que o Clóvis queria pra ele. Queria passar por esse mundo sem chamar atenção. Não iria mais conseguir, e agora não podia encarar o Figueroa.

Resolveu ir pro Bar do Bola. Era o bar da repartição, todos iam pra lá. Ficava há duas quadras do escritório, e servia boas e geladas cervejas.

Entrou, sentou, pediu uma cerveja. Melhor, uma dose de vodka antes. Resolveu tomar um porre. No segundo copo, foi interrompido por uma mão. Uma mão suave.

Tocando seu ombro, estava Jussara. Era a secretária do seu Carlos. Jussssara, era como ela se apresentava. Tinha o “s”sibilante. Alguns homens, entre eles Clóvis, tem tesão por mulheres que Sibilam. Já vi até uma comunidade no Orkut, “Amo Mulheres que Sibilam”.

- Eu sssoube que fosstesss promovido, Clóviss.

Jussara era uma morena, perto dos seus 30 anos. Já não ostentava a juventude das incautas estagiárias, mas estava longe das senhoras do almoxarifado.

Era alta, pernas longas, torneadas. Cintura fina, seios fartos. Tinha uma segurança ímpar, do alto do seu salto Luís XV. Desejo de 9, em cada 10 homens da repartição. Não eram 10 porque Clóvis nem cogitava. Era mulher demais pra ele.

Pois naquele dia, Jussara decidiu dar corda pro Clóvis.

Ficou ali, no bar, puxando assunto. Queria saber da vida, do futuro.

Três da manhã, várias vodkas depois, e ela perguntou se o Clóvis não ia pra casa. Ele não podia. Figueroa o esperava. E agora? Resolveu acompanhar Jussara, até sua casa. Não podia deixar uma mulher sibilante caminhar sozinha as 3 da matina. Não mesmo.

Eram 3 quadras, entre o bar do Bola e o JK da Jussara. Caminharam, meio sem jeito, tontos da bebida, inibidos de vergonha. Clóvis se sentia um adolescente. Não flertava desde seus 19 anos, quando conhecera Alice.

Chegaram, e Jussara o convidou para subir. De súbito, Clóvis caiu na real. Até ontem, sua vida era monótona e pacata, como planejado. E hoje, era chefe de setor, solteiro, sem carro, e estava prestes a subir no apartamento da sibilante mais desejada da repartição. E agora?

Saiba no terceiro e último capítulo de Clóvis, um brasileiro!

Clóvis, um Brasileiro – Final!!

Pobre Clóvis. Dois dias atrás era um mero auxiliar administrativo, com uma esposa normal, um carro comum, e seu cachorro medíocre.

Agora? Agora Clóvis era Chefe de Setor. Dez por cento de salário, por noventa por cento de responsabilidades.

Clóvis não tinha mais sua esposa, que fugira com seu chefe. Não tinha mais seu Chevete 88, segundo dono, levado na fuga.

Restara-lhe o Figueroa, seu cão. Cusco-sem-vergonha, era o que melhor definia sua raça. Figueroa que lembrava o quão medíocre ele era e sempre quis ser.

Agora, três da manhã, Clóvis está prestes a entrar no JK da sibilante Jussara. Todos os homens da repartição queriam estar em seu lugar. Menos ele. Menos Clóvis.

Clóvis subiu. Jussara ordenou que ficasse a vontade, e ofereceu um drink. Mais um, naquela noite etílica.

Clóvis bebeu. E, nas próximas horas, viveu seus momentos de esplendor. Amou como nunca.

Consumiu a morena. Literalmente. Jussara veio desnuda, provida apenas de uma calcinha de algodão, com ares adolescentes.

Começou por seus pés 36. Ah, a magia de um pé 36… Clóvis poderia passar horas ali, acariciando os pés…, subiu pelas panturrilhas, torneadas, definidas… joelhos macios e coxas grossas. Chegou ao abdômen, liso, reto. Seios fartos aguardavam-no, mas resolveu gastar um pouco mais de tempo no em torno do umbigo, e todas as possibilidades que a região podia lhe propiciar.

Chegou aos seios, rijos, que de forma alguma entregavam a idade de Jussara. Dois fortes montes, apontando aos céus. Deliciou-se em seus lábios de mel.

Realmente, amou como nunca. Acabou-se. Sete da manhã, banho e repartição. Foi antes de Jussara, para não levantar suspeitas.

No caminho, aproximadamente 4 quadras, Clóvis tomou uma importante decisão. Iria brigar pelo sucesso. O mundo conspirava a seu favor, não via mais motivos para ser medíocre. Que se dane o Figueroa.

Chegou na repartição feliz, com a pele boa. Peito estufado, queixo pro alto, atravessou aquele amontoado de baias como se fosse um lorde. Começou o dia dando ordens, tomando decisões. Jussara chegou logo atrás, toda linda, e ainda sibilante. Parecia mais linda agora, todos pararam ao vê-la.

Clóvis, decidido, a levou para almoçar. No fim do expediente, fizeram a mudança, do JK para a casa de Clóvis. Duas semanas se passaram, e a vida não podia estar melhor.

Vida agitada a que levavam. Coquetéis, vernissages, teatro, cinema, noitadas. Trabalhavam como nunca, divertiam-se mais. O sexo era cada vez melhor

Sábado, Clóvis acordou, e Jussara não estava ao seu lado.

Nove da manhã, e nada da Jussara. Clóvis olhava agoniado para a porta. Encontrou um bilhete.

No bilhete, 3 linhas:

Cansei, e quero sossego
fugi com o Aristides da Contabilidade
Levei o Figueroa

Clóvis não podia acreditar!!! Sossego? O Aristides?? O Figueroa? ??

Aristides era medíocre também! Era o companheiro de Clóvis em tempos passados! Traidor!! E pior, era fanho. Imaginem uma conversa, entre uma sibilante e um fanho!!! Imaginem os filhos!!

E o Figueroa? Seu fiel escudeiro, seu cusco vagabundo. E agora?

Agora Clóvis voltou a sua vida medíocre. Pediu demissão na repartição, e arrumou um emprego de auxiliar administrativo, em um escritório mediano. A única diferença é o que ele aprendeu. Aprendeu que nunca vai conseguir agradar as mulheres.

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