− Acorda Aroldo!!
Anh? O que? Acorda? Que horas são? Que dia é hoje? Pensava Aroldo.
− Sai daqui!! Me deixa dormir. Dizia.
Assim eram as manhãs de Aroldo. Sua mãe, todo santo dia, travava batalhas para tirá-lo da alcova. Mas ele resistia. Aroldo era free lancer, como gostava de definir. Motoboy, como definia sua mãe. Não tinha hora pra trabalhar, mas quanto antes ele fosse, mais faturava.
Não importava. Aroldo precisava dormir. Na média, eram apenas duas ou três horas de sono, até que sua mãe começava a labuta.
Acordava, a contragosto, pegava sua moto e se atirava no trânsito maluco da cidade. Quase morreu, por várias vezes. Aroldo não era um bom motorista, ainda mais com sono.
Todos os dias decidia que ia chegar em casa e dormir cedo. Ia dormir, não importava. Precisava descansar. Mas todo dia alguém ligava. Era um choppinho, uma polentinha, era uma balada, um churrasco. Sempre tinha alguma atividade, que o deixaria voltar pra casa só de madrugada. Mais uma vez.
E no outro dia, a mesma novela.
− Acorda Aroldo!!
Anh? O que? Acorda? Que horas são? Que dia é hoje? Pensava Aroldo.
− Sai daqui!! Me deixa dormir. Dizia.
Aroldo era popular. Principalmente com as mulheres. Se dava bem com o sexo oposto. Sabia o que dizer, quando dizer. Sabia o que não dizer, e quando não dizer.
Não era bonito. Mas tinha estilo. Era o que diziam suas fãs. Sim, Aroldo tinha fãs. Uma orla delas. Algumas acompanhavam sua vida, de perto. Até comunidade no Orkut chegaram a criar. Não foi pra frente, Aroldo pediu pra fecharem, e foi atendido. Afinal, as gurias entenderam que estavam fazendo propaganda contra elas mesmas.
As mulheres gostavam dele. Definitivamente. Mas o mais importante: Aroldo gostava de mulher. Não só de fazer sexo com mulher. Não. Aroldo gostava de mulher, em geral. Gostava tê-las, de possuí-las. Gostava do cheiro. Do jeito. Gostava de loiras, morenas, ruivas, e todos os outros tipos que pudessem existir.Teria sua própria coleção de mulheres, se pudesse.
Esse era Aroldo. Um cara que sabia o que queria, e, digo mais, sabia que teria o que queria.
Assim Aroldo ia levando a vida. Dia sim, outro também, saía com as mais diversas mulheres. Cada dia, uma nova aventura. Dizia ele que gostava mesmo era de conquistar as mulheres. Essa era a graça. A aventura, o desafio. Foi assim com todas elas. Depois de conquistadas, eram substituídas, e deixadas de lado.
Aroldo não ligava. Não mandava mensagens de texto, ou recados no Orkut. Ele simplesmente apagava as mulheres de sua memória.
Mas isso não podia durar pra sempre. Ele sabia. Deveria casar-se, ter filhos. Afinal, é pra isso que Deus nos põe no mundo, era o que pensava. Mas sempre adiava a mudança. Dizia que era cedo, que se preocuparia com família depois dos trinta. E ainda faltavam três longos anos.
Mas naquela noite fatídica, tudo mudou. Sentado no bar, bebendo com seus amigos, o Arlindo e Antonio (sim, eles se auto-intitulavam “O TRIPLO A”), Aroldo, de relance, viu algo surpreendente. Não podia acreditar. “Será? Não, não pode. Se bem que… pode ser.. não não, impossível!!”. Era. Aroldo ficou chocado.
Mas o que o Aroldo viu? Saiba no próximo capítulo, de Aroldo, o falcatrua.