Manú acordou cedo aquele dia. Como de costume, tomou banho, um copo de Nescau e foi pra aula. Claudinha a acompanhava. Manú vestia calças jeans largas, e uma camiseta. Claudinha, um short justo e um top. Era sempre assim.
Chegaram à escola, e logo no portão, foram abordadas por Marcos. Marcos, bancando o tímido, entregou o envelope com o bilhete e a caixa. Não disse nenhuma palavra, apenas olhou Manú no fundo dos olhos. Manú, sem saber o que fazer, agradeceu e saiu correndo. Correu como um pequeno cão acuado. Era a primeira vez que fora cortejada por um garoto. Claudinha correu ao seu encontro, e pediu que se acalmasse. Disse que isso era normal, e que ela mesma já havia passado por situação parecida.
Ficou tão nervosa, que não sabia o que fazer. Pensou, pensou. Resolveu ir pra aula, que disso ela entendia. E que resolveria sobre Marcos mais tarde.
Já na aula, olhava para os presentes. Sem abri-los. A caixa era preta, com um laço vermelho. Não era grande nem pequena. Grande demais para um anel, pequena demais para um urso de pelúcia. Era tudo que ela sabia sobre presentes de homens para mulheres. Coisas que ouvira das amigas, ou vira na televisão. Não tinha coragem de abrir.
O bilhete estava em um envelope branco, perfumado. O perfume era forte, másculo, e acolhedor. Manú gostou. Passou o resto da aula cheirando seu envelope. As colegas, curiosas, bradavam para que o abrisse. Manú resistiu. Veio o intervalo.
No intervalo, Claudinha a procurou. Quis saber dos presentes, quis ajudar a irmã.
Ora bolas. Manú recebia agora conselhos de sua irmã mais nova. Resolveu ser racional. Ela era boa nisso. Sempre fora boa nas matérias exatas, as que exigiam raciocínio lógico. Pronto, tomara sua decisão.
Resolveu que os abriria apenas em casa. Decidido. Dona Irma não estava em casa, ela não teria problemas em chegar com a caixa. Abriria os presentes no meio das amigas que mais confiava, Barbie-noiva e Barbie-praia.
Onze e quarenta e cinco. A aula acabou. Manú saiu, passos rápidos. Queria chegar logo em casa, e o mais importante: não queria encontrar Marcos na saída. Imagina se ele questionasse a respeito dos presentes? O que ela diria? Que não teve coragem de abrir? Melhor não.
Chegou em casa. Sã, e salva. Claudinha a importunara o caminho todo. Queria logo abrir, ver, tocar, opinar.
Manú trancou-se no quarto, rodeou-se de suas bonecas, respirou fundo e pegou os presentes.
Começou com o envelope. Perfumado, cheirou mais uma vez. Abriu, leu. Tremeu.
Resolveu abrir a caixa. Abriu, viu. Sorriu.
Dali em diante, Manú não seria mais a mesma.
Mas o que continha o bilhete? E a caixa? Saiba nos próximos capítulos de Manú, a Incauta.