BLOG VELHO

13 Abril, 2008

Manú, a Incauta – Capítulo 2

Arquivado em: Folhetim — Junior @ 10:54 pm

Manú acordou cedo aquele dia. Como de costume, tomou banho, um copo de Nescau e foi pra aula. Claudinha a acompanhava. Manú vestia calças jeans largas, e uma camiseta. Claudinha, um short justo e um top. Era sempre assim.

Chegaram à escola, e logo no portão, foram abordadas por Marcos. Marcos, bancando o tímido, entregou o envelope com o bilhete e a caixa. Não disse nenhuma palavra, apenas olhou Manú no fundo dos olhos. Manú, sem saber o que fazer, agradeceu e saiu correndo. Correu como um pequeno cão acuado. Era a primeira vez que fora cortejada por um garoto. Claudinha correu ao seu encontro, e pediu que se acalmasse. Disse que isso era normal, e que ela mesma já havia passado por situação parecida.

Ficou tão nervosa, que não sabia o que fazer. Pensou, pensou. Resolveu ir pra aula, que disso ela entendia. E que resolveria sobre Marcos mais tarde.

Já na aula, olhava para os presentes. Sem abri-los. A caixa era preta, com um laço vermelho. Não era grande nem pequena. Grande demais para um anel, pequena demais para um urso de pelúcia. Era tudo que ela sabia sobre presentes de homens para mulheres. Coisas que ouvira das amigas, ou vira na televisão. Não tinha coragem de abrir.

O bilhete estava em um envelope branco, perfumado. O perfume era forte, másculo, e acolhedor. Manú gostou. Passou o resto da aula cheirando seu envelope. As colegas, curiosas, bradavam para que o abrisse. Manú resistiu. Veio o intervalo.

No intervalo, Claudinha a procurou. Quis saber dos presentes, quis ajudar a irmã.

Ora bolas. Manú recebia agora conselhos de sua irmã mais nova. Resolveu ser racional. Ela era boa nisso. Sempre fora boa nas matérias exatas, as que exigiam raciocínio lógico. Pronto, tomara sua decisão.

Resolveu que os abriria apenas em casa. Decidido. Dona Irma não estava em casa, ela não teria problemas em chegar com a caixa. Abriria os presentes no meio das amigas que mais confiava, Barbie-noiva e Barbie-praia.

Onze e quarenta e cinco. A aula acabou. Manú saiu, passos rápidos. Queria chegar logo em casa, e o mais importante: não queria encontrar Marcos na saída. Imagina se ele questionasse a respeito dos presentes? O que ela diria? Que não teve coragem de abrir? Melhor não.

Chegou em casa. Sã, e salva. Claudinha a importunara o caminho todo. Queria logo abrir, ver, tocar, opinar.

Manú trancou-se no quarto, rodeou-se de suas bonecas, respirou fundo e pegou os presentes.

Começou com o envelope. Perfumado, cheirou mais uma vez. Abriu, leu. Tremeu.

Resolveu abrir a caixa. Abriu, viu. Sorriu.

Dali em diante, Manú não seria mais a mesma.

Mas o que continha o bilhete? E a caixa? Saiba nos próximos capítulos de Manú, a Incauta.

Albergue Espanhol + Bonecas Russas

Arquivado em: Filmes reais — Junior @ 8:01 pm

Inauguro hoje o “quadro” FILMES REAIS, onde vou falar de filmes importantes, que simbolizam alguns momentos de nossas vidas (ou da minha, pelo menos).

E começo com uma bilogia (sim, se existe trilogia, existe bilogia).

Albergue Espanhol , e sua continuação, Bonecas Russas, ilustram minha vida dos últimos 5 anos.

Uma grande amiga Mascarada já escreveu sobre esse mesmo texto, mas sinto-me obrigado a fazer igual.

No primeiro filme, Albergue Espanhol, o protagonista, Xavier, ganha uma bolsa de estudos e vai fazer seu mestrado em Barcelona. Acaba morando em uma república cosmopolita, com altos níveis de irresponsabilidade, amizade, e todos os outros sentimentos misturados.

Vivendo cada momento de uma vez, a turma da república vai aprendendo com seus próprios erros, e crescendo durante o filme, sem preocuparem-se com isso.

Em uma das grandes passagens do filme, o protagonista descreve uma grande verdade dos viajantes:

“When you first arrive in a new city, nothing makes sense. Everything’s unknown, virgin… After you’ve lived here, walked these streets, you’ll know them inside out. You’ll know these people. Once you’ve lived here, crossed this street 10, 20, 1000 times… it’ll belong to you because you’ve lived there. That was about to happen to me, but I didn’t know it yet.”

Senti isso na pele, e garanto que é real.

O segundo filme, Bonecas Russas, mostra o reencontro dos amigos de Xavier, 5 anos depois. Angustia, ambição, sonhos, frustração, são os ingredientes do filme. A pressão familiar/social, indica que algo fugiu do planejado.

A grande “sombra do próximo natal”, o que vamos fazer, como vai ser o futuro, é um dos elementos que me identifica com o filme. E muitos dos meus amigos também.

Parafraseando minha grande amiga, jornalista e escritora, a tal Mascarada que eu falei lá no começo do texto:

“Outro dia mesmo, quando o mundo inteiro acordava quando a gente ia dormir e as aventuras aconteciam on the road, não podíamos imaginar que esse momento chegaria: descobrimos, finalmente, que a festa termina, sim. Em breve a música vai precisar parar e as luzes se acenderão.

E teremos de encarar uma vida sem estroboscópicas e altos decibéis, mas com filhos, prestações a pagar e, acredito, outra espécie de emoções.”

Apesar de eu ainda não estar perto dos 30, o meu DJ já começou a tocar a saidera. Claro que na vida sempre tem a festa de amanhã, mas nunca sabemos se vai ser igual a de ontem.
E sabemos que a nossa festa de ontem não se repetirá nunca mais. Talvez pior, talvez melhor. Igual, jamais.

E daí? O que vai ser de nós? Provavelmente vamos nos sair bem. Amadurecer é da natureza humana.

Enquanto isso, vou curtindo os últimos hits que o DJ dedicou pra mim, na balada da minha vida.

Ps.: o texto ficou quase plágio do texto da M.

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