BLOG VELHO

10 Abril, 2008

Manú, a Incauta – Capítulo 1

Arquivado em: Folhetim — Junior @ 10:37 pm

A inocência é uma coisa que não tem preço. Quisera o mundo ter mais pessoas inocentes, puras de coração. Quem sabe assim, a pobreza, a miséria, a ladroagem não seriam tão generalizadas. É o que pensam muitas pessoas. Mas as vezes, a inocência pode ser perigosa…

Assim era Manú. Ingênua. Sem maldade. Incauta.

Manú tinha 16 anos, cursava o segundo ano do então segundo grau, que era o nome do ensino médio naquele tempo.

No ano que passara, Manú viveu a mesma experiência que as lagartas vivem, ao transformarem-se em borboletas. Manú saiu do casulo. E virou uma linda borboleta.

Só que Manú não se deu conta. Manú não tinha maldade. Seguia sua vida leve e solta, vestia-se sem preocupações estéticas e, ainda, de vez em quando, dedicava tardes a intermináveis banhos e sessões de maquiagem na sua coleção de bonecas Barbie.

Mas fisicamente, Manú não tinha nada de criança. Ruiva, um metro e setenta e dois. Todos sabemos o poder de uma mulher ruiva…. Tornozelos torneados, panturrilhas finas, porém promissoras. Tinha lindas e lisas coxas, orneadas por pelinhos dourados. Ah, os pelinhos dourados das coxas…. Ostentava jovens e rijos seios, perfeitamente simétricos. E, como se sabe, é quase impossível achar seios simétricos. Os da Manú eram.

Manú definitivamente não dava bola pro seu corpo. Ou nem sabia que tinha um corpo. Preocupava-se com os estudos, com seu futuro, com suas bonecas. Durante as aulas de educação física, suas calças de suplex (quem foi o gênio que inventou essas calças?), blusinhas micro, suada, nem se dava conta do furor que causava nos colegas.

Pois foi num dia desses, de educação física, que Marcos descobriu Manú. Marcos era aluno do terceiro ano, um a mais que Manú. Não havia ainda reparado na mulher, que até outro dia era uma simples guria. Marcos estava a matar aula, gazear, e acabou assistindo Manú durante seus alongamentos e corridas.

Apaixonou-se.

Porque podem até dizer que as mulheres amadurecem antes que os homens. Até concordo.
Mas o senso de putaria, isso os guris aguçam muito antes.

Marcos voltou pra aula, e espalhou a novidade. Pronto. No intervalo, Manú já era o assunto do terceiro ano.

Até um bolão foi criado, entre a turma do fundão. Pra saber quem seria o primeiro a visitar o as novas curvas do corpo de Manú.

Manú continuava sua vida. Livre, leve e solta. Preocupava-se em viver sua adolescência da forma mais proveitosa possível. Depois da escola, ia pra casa, ajudava a mãe com a louça do almoço, fazia o tema (assim que ela referia-se a lição de casa), e ia brincar. Muitas vezes com sua irmã mais nova, a Claudinha.

Claudinha tinha 2 anos menos que Manú, mas sua mente já andava a frente da mente da irmã. Claudinha queria brincar de namorar. Era difícil a brincadeira da Claudinha que não acabasse em bonecos casados com bonecas, tendo filhos, e etc. Enfim, o instinto feminino de formar famílias.

Manú não. Manú queria correr, brincar de pegar, dar banho nas bonecas, arrumá-las para grandes eventos. Mas nunca envolvendo casais. Manú era pura.

Uma das atividades vespertinas favoritas de Manú era o banho de rio. Adorava banhar-se no rio que ficava aos fundos de sua propriedade. Cidade pequena tem essas vantagens, dizia a mãe, quando lhe autorizava as idas ao rio.

Cabe falar da mãe de Manú. Dona Irma. Dona Irma era uma mulher muito justa, muito séria. Católica fervorosa, jamais ousara pensar em outro homem depois da morte de seu amado esposo, o Armando. Amado finado Armando… pensava ela.

Seu Armando morreu quando Manú tinha 2 anos. Claudinha era recém nascida. Talvez a ausência da figura masculina na casa explicasse o comportamento do Manú. Mas Claudinha fora criada no mesmo ambiente e era diferente.

Dona Irma às vezes preocupava-se com Manú. Como pode uma menina, de 16 anos, portar-se como se tivesse 10? Mas logo acalmava-se. Antes inocente do que mal falada. Seu maior temor eram as fofoqueiras da cidade.

No dia seguinte, na porta da escola, Marcos esperava por Manú. Tinha um bilhete, uma caixa, e sua coragem.

Saiba como continua essa história no próximo capítulo de Manú, a incauta!

Blog em WordPress.com.