O Clóvis era um cara medíocre. Mediano. Regular.
Era auxiliar administrativo, tinha um Chevete 88, segundo dono e uma casa no subúrbio. Tinha um cachorro vira-lata, o Figueroa.
O Clóvis era casado. Alice, o nome dela. Alice podia ser classificada como “junto no parque”. Não era nenhuma “mãos dadas no shopping”, mas também ficava longe das “trancafiadas no escuro”.
O Clóvis dizia que não queria ser promovido na empresa, pra não ganhar mais responsabilidades. Era contente com seu salário.
Não queria mais nada da vida, o Clóvis. Era realizado. Afinal, é disso que se trata a felicidade. Atingir seus objetivos, suas metas. Cada um com seus parâmetros.
Um dia, chegou em casa e não encontrou Alice. Nem o Chevete 88, segundo dono. Só lhe restara o Figueroa, e um bilhete.
No bilhete, 3 linhas:
- Cansei, eu quero mais.
Fugi com teu chefe, o Armando.
Levei o Chevete 88, segundo dono.
Clóvis ficou atônito. Perdera a mulher, o carro e o chefe. Tudo de uma vez.
Não dormiu naquela noite. Primeira noite desde sua adolescência que passava sem dormir.
Levantou, foi pro trabalho, como sempre. Era preciso voltar à mediocridade.
Clóvis cumpriu sua rotina paulatinamente. Ligou o computador, foi buscar um café, conversou com o Aristides da contabilidade no caminho, sentou-se.
5 minutos, e uma ligação. Era o seu Carlos, Gerente do departamento. Se não bastasse seu mundo caindo, o seu Carlos ainda queria vê-lo.
Foi. Seu pior temor se realizou. Virara Chefe do Setor, no lugar do traidor do Armando.
Agora, não tinha mulher, não tinha o Chevete 88, segundo dono, e tinha bastante responsabilidade.
Seu mundo desabou. Toda a proteção, construída em anos, se perdeu em menos de 24 horas.
E agora?
Saiba no próximo capítulo de Clóvis, um brasileiro!